A Costa de Santo André e a Reserva Natural das Lagoas de Santo André e da Sancha apresentam condições muito especiais para aqueles que procuram um contacto com a natureza nos seus passeios a pé, merendas, pesca, observação de aves, pintura, fotografia, etc.
Este é um destino com uma natureza inigualável e com uma história de tenacidade, na qual os pescadores enfrentavam o mar e lhe roubavam e arrastavam o peixe.
A memória oral faz remontar ao século XIX o estabelecimento dos primeiros pescadores na Costa de Santo André, oriundos do litoral centro, das zonas de Aveiro, Murtosa e Ílhavo, e respetivas famílias, fixando-se na margem norte da lagoa ao abrigo da duna e aí construindo cabanas e armazéns de colmo e caniço. A vinda destes pescadores, devido à abundância de sardinha no mar, no Verão, e outro peixe na lagoa, no Inverno, terão estabelecido com lavradores da região, uma campanha semelhante às do Norte.
Os pescadores enfrentavam com os seus frágeis barcos de proa alta e revirada, denominados ‘saveiros’, a braveza do mar encapelado para lançarem grandes redes que, depois eram puxadas, em arrasto para terra. Cercavam os cardumes e as redes eram então puxadas em arrasto para terra à força de braços e com elas vinha o peixe que era desmalhado no areal, desproporcionalmente repartido entre donos de campanha, pescadores de aluguer e ajudas da praia.
Era a Arte Xávega que se praticava num período compreendido entre Abril e Outubro.
Atualmente são muito poucos os pescadores na lagoa de Santo André e os que existem praticam a pesca tradicional em pequenos barcos, denominadas bateiras.
De forma a proporcionar águas mais limpas e uma maior qualidade do peixe desde há muito se faz a abertura da lagoa ao mar, ou seja, o cordão dunar era rompido à força dos homens e animais para que a lagoa “fosse ao mar” para se regenerar. Atualmente, em meados de março (o dia deve coincidir com a época de águas vivas e mar calmo e nos dias de lua nova ou lua cheia, (preferencialmente os primeiros) ou nos dois dias seguintes, a abertura anual da Lagoa faz-se através de meios mecânicos, mas com o mesmo espetáculo.
Fonte: CM Santiago do Cacém
https://www.visitalentejo.pt/pt/o-alentejo/cultura/rotas-culturais/rota-da-cultura-avieira/
http://www.e-atlasavieiro.org/conteudo/cultura-avieira/bateira-avieira/bateira-avieira